Estatisticamente 50% das pessoas vão morrer com cancro e 90% morrem com doença prolongada. Para além disso, com o aumento da esperança de vida, as pessoas vão durante mais tempo enfrentar todas as consequências do envelhecimento, antecipando-se o aumento das suas necessidades. Conscientes da urgência de intervenção para o alívio do sofrimento, o Centro de Saúde de Nisa decidiu criar este espaço para que doentes e seus familiares possam colocar questões e partilhar experiências.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Compressão metastática da medula (Compressão medular)

A compressão medular é uma complicação rara do cancro. As pessoas com cancro correm o risco de que este se espalhe para outras partes do corpo, incluindo fígado, pulmões e ossos. Quando o cancro se espalha diz-se que surgem metástases. As metástases medulares são aquelas que afectam a coluna vertebral. Estas são dolorosas e podem levar à compressão da medula – as metástases pressionam os nervos que transportam as mensagens entre o cérebro e o resto do corpo.
Sintomas de metástases medulares:
Dor na parte mediana ou superior das costas ou pescoço;
Dor severa na parte inferior das costas, que se agrava ou não desaparece;
Dor nas costas que é agravada quando se tosse, espirra ou quando se vai à casa de banho;
Dor nas costas que dificulta o dormir;
Sintomas de compressão medular:
Banda de dor nos braços, pernas ou à volta do corpo;
Dormência, fraqueza ou dificuldade em usar pernas e braços;
Dificuldade em controlar a bexiga e intestinos.
Tratamentos:
Procure o seu médico com urgência;
Analgésicos – Medicamentos para aliviar a dor;
Bifosfanatos – Medicamentos que ajudam a aliviar a dor e proteger os ossos da coluna;
Corticosteróides – Medicamentos que ajudam a reduzir o inchaço e aliviar a pressão do cancro na medula;
Vertebroplastia – Injecções de um cimento de ossos especial na medula que ajuda a aliviar a dor e fortalecer a coluna;
Radioterapia – Tratamento de radiação dirigido à coluna para destruir as células cancerígenas e aliviar a pressão na medula;
Cirurgia – Operação para ajudar a aliviar a pressão na coluna vertebral e fortalecer esta.
Os profissionais de saúde podem pedir-lhe que se deite e tente ficar imóvel para reduzir o movimento e proteger a medula. Quando o seu médico assistente achar que o movimento não o colocar em risco pode começar por se sentar. Quando se conseguir sentar em segurança, por si só, pode pedir apoio para se deslocar.
Atenção:
Se a compressão medular não for tratada por provocar paralisia permanente e morte precoce.
(Adaptado das guias orientadoras para o tratamento da compressão medular desenvolvidas pelo “National Institute for Health and Clinical Excellence”, Novembro de 2008.)
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Coping no doente com dor crónica

RESUMO
Coping” é o que as pessoas fazem para tolerar eventos estressantes, entre os quais a dor está incluída. O estudo visou à identificação das estratégias para o enfrentamento da dor (“coping”) utilizadas por 89 doentes com dor crónica e à busca de associações entre estas e variáveis sociodemográficas dos doentes e características da dor. As estratégias de “coping” foram identificadas por meio da pergunta “O que melhora a sua dor?” e “O que ajuda no controle da dor?”, e classificadas de acordo com o proposto por Rosenstiel e Keefe(5) no Questionário de Estratégias de “coping” (QEC). Os doentes eram mulheres em 55,1% dos casos, a idade média foi 51,6 anos e o desvio padrão de 17,6 anos. Houve predomínio de doentes com escolaridade entre um a quatro anos (37%).
A dor era relacionada ao câncer em 35,9% dos casos, de origem muscular em 24,7% das vezes, neuropática em 13,5% dos doentes, de outra etiologia em 4,6% dos doentes e desconhecida no restante dos casos. Observou-se dor com intensidade igual ou superior a 5 em 70,8% das vezes (escala de 0 a 10). A média de intensidade de dor foi 6,4 (desvio padrão = 2,8), a mediana foi 7. As estratégias de “coping” mais utilizadas (92,4%) foram as da categoria realizar actividades específicas para o controle da dor (tomar remédio, aplicar calor local, deitar, entre outras). A 2a categoria mais escolhida foi rezar e esperar (4,7%), que compreende estratégias como rezar, ter fé em Deus, no médico, entre outras. A 3a categoria mais frequente (2,9%) foi realizar actividades gerais (sair de casa, fazer algo de que gosta, fazer algum trabalho, etc.).
Não se observaram estratégias pertencentes às categorias distrair a atenção, reinterpretar as sensações de dor, auto-afirmações de “coping”, ignorar sensações e catastrofização. A ausência de estratégias em diversas categorias e a pequena frequência de ocorrência em outras sugerem que os doentes têm repertório de estratégias de “coping” pobre, o que pode ser diagnosticado como “coping” ineficaz. Há necessidade de programas educativos sobre “coping” da dor.
Palavras-chave: Dor crónica, “coping”, terapêutica da dor, cognição.
Profa. Dra. Cibele Andrucioli de Mattos Pimenta1
Profa. Dra. Diná de Almeida Lopes Monteiro da Cruz1
Enfa. Geana Paula Kurita2
1 - Enfermeira e Doutora em Enfermagem e Professora Associada do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da Escola de Enfermagem da USP.
2 - Enfermeira e Mestre em Enfermagem e Aluna de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem na Saúde do Adulto da Escola de Enfermagem da USP.
In, www.cuidadospaliativos.com.br, acedido em 25 de Novembro de 2008.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Porque os doentes têm direito...
“É muito duro, mas tenho momentos de tamanha perfeição, liberdade e comunhão com todo o universo que me faz dizer alto e bom som que tudo vale a pena.”
(Rita Leitão, Junho de 2007)
...à dignidade! ...ao apoio! ...ao alívio! ...ao conforto! ...ao não estar só! ...ao ser feliz, mesmo que doentes!
Novo ano, nova comemoração do dia mundial dos cuidados paliativos. O que mudou num ano? O número de reportagens que vemos na televisão, rádio e revistas é sintoma de que as coisas estão a mudar no nosso país. Mais concretamente, no nosso distrito, até final de 2009, está prevista a abertura de uma unidade de cuidados paliativos no hospital Dr. José Maria Grande em Portalegre.
No entanto, no terreno, e dado que o número de pessoas e suas famílias que requerem apoio não pára de aumentar (não me refiro apenas aos doentes oncológicos, mas também a todos aqueles que por não terem a “doença maldita” quase que são esquecidos), os profissionais de saúde desdobram-se em esforços para ajudar aqueles que todos os dias pedem auxílio.
No entanto, cuidados paliativos não são cuidados de caridade, ou de bons corações. São cuidados que exigem tempo! Exigem disponibilidade! Exigem formação! Embora o afecto, e a capacidade de expressão deste, seja importante quando se prestam cuidados paliativos, o dar as mãos e “palmadinhas” nas costas nunca será suficiente. Não poderemos nunca esquecer que ajudar uma pessoa, tal como a Rita, a fazer o longo e (talvez) penoso trajecto de uma doença incurável e progressiva exige aos profissionais de saúde a conciliação entre a perícia técnica e disponibilidade emocional para tal. Custa-me a crer que profissionais assoberbados em trabalho, cansados pelas exigências profissionais, sem tempo para elaborarem as suas perdas (nomeadamente de doentes) consigam ter “cabeça e coração” para esta tarefa.
Mas em cuidados paliativos, muitas vezes, os profissionais de saúde são esquecidos da equação da prestação de cuidados – “Se eu não cuidar de mim, quem cuidará?”. Os doentes têm direito a receberem cuidados de profissionais que cuidam deles próprios. È por esse motivo que num espaço dedicado ao dia mundial dos cuidados paliativos se fala não só nos doentes, mas também naqueles que os ajudam – os profissionais de saúde.
Atrevo-me, no entanto, a dizer que profissionais não são só médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, técnicos de serviço social, entre tantos outros. Profissionais são também aqueles que acordam de noite quando um ente querido sofre com dores. Profissionais são aqueles que abnegadamente dedicam o seu tempo e carinho a confortar e aliviar os medos do doente (e tantos são!!). Profissionais são também aqueles que trabalham 24h por dia nos bastidores, e cujas tarefas são tantas vezes desvalorizadas. Profissionais são os pais, mães, irmãos, filhos, avós, vizinhos e amigos que estão ao lado dos seus doentes.
Também estes profissionais precisam de tempo para eles e disponibilidade emocional para ajudarem o outro. Estes profissionais, à semelhança dos outros, precisam de alguém que também cuide deles.
Já muito se fez, embora por vezes não pareça, e muito está planeado. Mas a batalha dos e pelos cuidados paliativos é travada todos os dias por aqueles que enfrentam estas situações. Pelos doentes, pelos seus familiares e pelos profissionais de saúde. Esta batalha não terá um fim próximo. Ainda há muito para fazer de modo a que uma percentagem significativa dos doentes consiga dizer, tal como a Rita, “tudo vale a pena”. Mas, para que essa meta esteja cada vez mais próxima, temos de manter viva dentro de nós a ideia de que não podemos baixar os braços. Não podemos ceder ao facilitismo de dizer “falam, falam e não os vejo a fazer nada”. Falem! Mas façam! Este é um imperativo ético nos nossos dias.
(Rita Leitão, Junho de 2007)
...à dignidade! ...ao apoio! ...ao alívio! ...ao conforto! ...ao não estar só! ...ao ser feliz, mesmo que doentes!
Novo ano, nova comemoração do dia mundial dos cuidados paliativos. O que mudou num ano? O número de reportagens que vemos na televisão, rádio e revistas é sintoma de que as coisas estão a mudar no nosso país. Mais concretamente, no nosso distrito, até final de 2009, está prevista a abertura de uma unidade de cuidados paliativos no hospital Dr. José Maria Grande em Portalegre.
No entanto, no terreno, e dado que o número de pessoas e suas famílias que requerem apoio não pára de aumentar (não me refiro apenas aos doentes oncológicos, mas também a todos aqueles que por não terem a “doença maldita” quase que são esquecidos), os profissionais de saúde desdobram-se em esforços para ajudar aqueles que todos os dias pedem auxílio.
No entanto, cuidados paliativos não são cuidados de caridade, ou de bons corações. São cuidados que exigem tempo! Exigem disponibilidade! Exigem formação! Embora o afecto, e a capacidade de expressão deste, seja importante quando se prestam cuidados paliativos, o dar as mãos e “palmadinhas” nas costas nunca será suficiente. Não poderemos nunca esquecer que ajudar uma pessoa, tal como a Rita, a fazer o longo e (talvez) penoso trajecto de uma doença incurável e progressiva exige aos profissionais de saúde a conciliação entre a perícia técnica e disponibilidade emocional para tal. Custa-me a crer que profissionais assoberbados em trabalho, cansados pelas exigências profissionais, sem tempo para elaborarem as suas perdas (nomeadamente de doentes) consigam ter “cabeça e coração” para esta tarefa.
Mas em cuidados paliativos, muitas vezes, os profissionais de saúde são esquecidos da equação da prestação de cuidados – “Se eu não cuidar de mim, quem cuidará?”. Os doentes têm direito a receberem cuidados de profissionais que cuidam deles próprios. È por esse motivo que num espaço dedicado ao dia mundial dos cuidados paliativos se fala não só nos doentes, mas também naqueles que os ajudam – os profissionais de saúde.
Atrevo-me, no entanto, a dizer que profissionais não são só médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, técnicos de serviço social, entre tantos outros. Profissionais são também aqueles que acordam de noite quando um ente querido sofre com dores. Profissionais são aqueles que abnegadamente dedicam o seu tempo e carinho a confortar e aliviar os medos do doente (e tantos são!!). Profissionais são também aqueles que trabalham 24h por dia nos bastidores, e cujas tarefas são tantas vezes desvalorizadas. Profissionais são os pais, mães, irmãos, filhos, avós, vizinhos e amigos que estão ao lado dos seus doentes.
Também estes profissionais precisam de tempo para eles e disponibilidade emocional para ajudarem o outro. Estes profissionais, à semelhança dos outros, precisam de alguém que também cuide deles.
Já muito se fez, embora por vezes não pareça, e muito está planeado. Mas a batalha dos e pelos cuidados paliativos é travada todos os dias por aqueles que enfrentam estas situações. Pelos doentes, pelos seus familiares e pelos profissionais de saúde. Esta batalha não terá um fim próximo. Ainda há muito para fazer de modo a que uma percentagem significativa dos doentes consiga dizer, tal como a Rita, “tudo vale a pena”. Mas, para que essa meta esteja cada vez mais próxima, temos de manter viva dentro de nós a ideia de que não podemos baixar os braços. Não podemos ceder ao facilitismo de dizer “falam, falam e não os vejo a fazer nada”. Falem! Mas façam! Este é um imperativo ético nos nossos dias.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Burnout ou exaustão
Burnout é o estado de exaustão física, emocional e mental que resulta do envolvimento intenso com pessoas, numa situação prolongada e emocionalmente demandante.
Surge como resultado de uma tensão emocional crónica e do excessivo esforço que supõe o contacto contínuo e exaustivo com outras pessoas, particularmente quando estas estão em situações difíceis. Não é qualquer coisa que se teve e já não se tem. É sim um fenómeno que se decompõe em sequências temporais e graduais que podem ter diversas manifestações.
Sintomas:
Perda de interesse, aborrecimento, decepção emocional, desencorajamento, depressão;
Sensação de ser ultrapassado, incompetente, incapaz de se organizar;
Dificuldades de atenção, concentração e memória;
Fadiga, insónias, dores de cabeça, alergias, etc.
Dificuldades relacionais, instabilidade, isolamento, auto-medicação, consumo de substâncias;
Empatia impossível, desapego emocional, irritabilidade, agressividade, rejeição.
Se apresentar estes sinais, procure ajuda.
Surge como resultado de uma tensão emocional crónica e do excessivo esforço que supõe o contacto contínuo e exaustivo com outras pessoas, particularmente quando estas estão em situações difíceis. Não é qualquer coisa que se teve e já não se tem. É sim um fenómeno que se decompõe em sequências temporais e graduais que podem ter diversas manifestações.
Sintomas:
Perda de interesse, aborrecimento, decepção emocional, desencorajamento, depressão;
Sensação de ser ultrapassado, incompetente, incapaz de se organizar;
Dificuldades de atenção, concentração e memória;
Fadiga, insónias, dores de cabeça, alergias, etc.
Dificuldades relacionais, instabilidade, isolamento, auto-medicação, consumo de substâncias;
Empatia impossível, desapego emocional, irritabilidade, agressividade, rejeição.
Se apresentar estes sinais, procure ajuda.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Luto complicado

1.Não consegue falar do objecto perdido sem se emocionar
2. Factos menores desencadeiam reacções de luto
3. Tristeza não justificada em determinadas circunstâncias
4. Apresenta sintomas físicos semelhantes ao objecto perdido
5. Fobia de doença ou de morte relacionada com a do objecto perdido
6. Compulsão para imitar traços do objecto perdido, ou sensação de contínuas obrigações para com ele
7. Mudanças radicais e/ou prematuras no estilo de vida, com exclusão de actividades associadas ao objecto perdido
8. História prolongada de depressão com culpa persistente e diminuição da autoestima, por vezes com impulsos auto-destrutivos
9. Não quer mexer nos pertences do objecto perdido
10. Comportamento "seco", como se nada tivesse acontecido, evitando referências ao objecto perdido
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